“Depressão – A Cura é Possível”, com Dra. Ruth Ministro

No artigo “Depressão – A Cura é Possível”, publicado na revista Visão Saúde, a Dra. Ruth Ministro explica à jornalista Mariana Almeida Nogueira que a depressão é “uma perturbação do humor que afecta negativamente a forma como pensamos, como nos sentimos e como agimos.”

Apesar de poder ter vários graus de intensidade e ser uma doença multifactorial, deve ser distinguida de sentimentos de tristeza por si só, transitórios, adaptativos ou reactivos a eventos de vida e que são normais respostas do nosso sistema emocional. No caso da depressão, os sintomas prolongam-se no tempo e agravam-se, causando sofrimento profundo e interferindo na rotina do dia-a-dia, mais ou menos visivelmente aos olhos dos outros, impedindo o indivíduo de sentir que está a viver uma vida normal.

A investigação continua a colocar questões e a procurar respostas para o que acontece no cérebro de uma pessoa que sofre de depressão. No mesmo artigo, a Dra. Ruth Ministro refere que sabemos, por exemplo, que “os níveis de determinadas substâncias químicas neurotransmissoras, como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, são deficientes nos cérebros destas pessoas”. Mas também sabemos que o problema é muito mais complexo do que isto, uma vez que as reacções químicas no sistema dinâmico responsável pelas emoções, pelo humor e pela forma como percepcionamos os acontecimentos da nossa vida são inúmeras.

No que respeita o factor hereditário, aponta para o facto de que “a depressão resulta de uma combinação de factores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais.” A psicóloga explica ainda que “a base genética da depressão apenas nos dá um indicador de uma maior vulnerabilidade da pessoa a desenvolver a doença, não implica forçosamente que ela venha a sofrer dela”.

Sendo especializada num modelo de intervenção baseado nas Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira-Geração, refere que “este tipo de terapia trabalha aquilo a que chamamos de neuroplasticidade. Ou seja, tudo o que a nossa mente pensa e as ações que repetimos podem alterar fisicamente o cérebro e os padrões neuronais, reforçando as redes e conexões que usamos mais e enfraquecendo as que usamos menos e até mesmo criando novas conexões (novas aprendizagens)”. 

Este tipo de intervenção tem-se mostrado eficaz no tratamento da depressão e na prevenção das recaídas, ao trabalhar a  relação que o indivíduo tem com a sua experiência, isto é, os seus pensamentos, as suas emoções e as suas sensações, mesmo quando desagradáveis ou dolorosos, ajudando-o a desenvolver uma atitude de aceitação para com essa experiência e de compaixão para consigo mesmo. Quando a nossa atenção é treinada sistematicamente, através da prática de Mindfulness, por exemplo, com este tipo de atitudes, o nosso cérebro modifica-se reforçando conexões nervosas nas zonas ligadas à regulação emocional. 

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