Perturbação de Personalidade Borderline (PPB) 

A Perturbação de Personalidade Borderline (PPB) é um problema de saúde mental que afeta cerca de 2% da população mundial e que atualmente se coloca como um dos maiores desafios terapêuticos para a Psicologia e Psiquiatria, em termos de compreensão, psicodiagnóstico, tratamento e intervenção.

O psicodiagnóstico não é fácil, podendo, num caso de ida à urgência, confundir- se com perturbação de ansiedade ou depressão, hiperatividade com défice de atenção e, mais comummente com doença bipolar. Ainda bastante incompreendida e subdiagnosticada, a PPB, e de quem dela padece, são muitas das vezes alvo de estigmatização. 

A PPB caracteriza-se por um padrão generalizado de hipersensibilidade e instabilidade persistente nos relacionamentos interpessoais e na autoimagem, de inconstância emocional com flutuações extremas e constantes de humor que podem ir da disforia intensa, à irritabilidade e à ansiedade, que podem durar horas.

A PPB é um transtorno fronteiriço ou limítrofe da personalidade por caracterizar um modo de estar, ser e sentir, e de se relacionar com o mundo consideravelmente patológico por algumas das características que a definem e que moldam um quadro clínico complexo, instável e desorganizado.

É sobretudo nas relações, através delas e por causa delas, que se manifestam os sintomas. Há um conflito entre a necessidade intensa do outro e o medo da rejeição, do abandono e desaprovação. Por trás do medo de abandono está escondido um comportamento agressivo, que exige do outro, disponibilidade total. 

Se acham que estão a ser abandonados ou negligenciados (mesmo quando não corresponde à realidade) sentem raiva e um medo intenso que dá origem a conflitos e, em última instância, a tentativas de suicídio, não no intuito de morrer, mas de fazer com que os outros não os deixem e cuidem deles.

Adotam mudanças abruptas e dramáticas na visão das pessoas, da idealização para a desvalorização, um pensamento clivado (divisão e polarização do bem e do mal). Por exemplo, no início de um relacionamento podem idealizar um potencial cuidador e exigir muito tempo e partilha, e repentinamente mudam de opinião e ficam desiludidos.

Estas características de personalidade marcadas pelo melodrama, um modo de sentir intenso demais pontuado pela hiperatividade emocional, por vezes, com ciúmes intensos, ataques de ira e desespero geram graves problemas amorosos, familiares e sociais e um grande sofrimento para os próximos.

Em termos de tratamento é importante recorrer a especialistas, Psicólogos e Psiquiatras, a Psicoterapia aliada à Psicofarmacologia ajuda a controlar melhor os seus impulsos e a entender o seu comportamento. Um olhar sistémico, conjugal e familiar é o ideal para compreender as fontes na base da manutenção desta perturbação. A Terapia Cognitivo-Comportamental, e mais especificamente a Terapia Comportamental Dialética (ver artigo específico sobre esta abordagem no site da REACH) ajuda na mudança de crenças e comportamentos disfuncionais subjacentes a perceções imprecisas de si e dos outros; redução de sintomas de humor e ansiedade, comportamentos impulsivos, autodestrutivos; regulação perante deceções e crises; correta identificação e regulação das reações emocionais. A Terapia Familiar também deve ser equacionada no tratamento.

Perante este quadros, que, com técnicas adequadas, e recurso à psicoterapia e/ou terapias farmacológicas evidenciam ganhos inequívocos no tratamento da ansiedade.

*texto de Ricardo João Teixeira.