Stress Laboral

O trabalho é uma parte importante da nossa vida. Permite-nos não só ter uma fonte de rendimento, mas também atingir objectivos pessoais e construir relações com outras pessoas. Com a precaridade que caracteriza o mercado de trabalho actual, o simples facto de termos um emprego já pode ser motivo de satisfação.

No entanto, o emprego também traz um conjunto de pressões e ansiedades, constituindo uma fonte de stress. O stress originado pelo trabalho explica, aliás, mais de metade das faltas ao trabalho e é o segundo problema de saúde relacionado com o trabalho mais reportado na Europa, afectando quase um em cada três trabalhadores.

O stress no trabalho pode ser provocado por diversas situações. Por exemplo, ter demasiadas coisas para fazer em pouco tempo ou não ter nada para fazer, ter um trabalho muito exigente ou demasiado fácil, a pressão dos prazos para cumprir, os turnos, a falta de controlo sobre o que fazemos e como fazemos, as más condições de trabalho (muito barulho, pouca luz, equipamento ou mobiliário desadequados), falta de apoio por parte da gestão, conflitos com os superiores hierárquicos, poucas expectativas de progressão e de aumento do salário, medo de ser despedido, más relações com os colegas de trabalho, falta de equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar.

Os sinais típicos de stress laboral incluem, a nível físico, cansaço, aperto no peito, indigestão, dor de cabeça, alterações do apetite e do peso, dores nas costas. Podemos ainda sentir-nos “em baixo”, irritáveis, ansiosos, indecisos, desmotivados, com dificuldades de concentração, isolados ou agressivos. Podemos experimentar alterações do humor e aumentarmos o consumo de tabaco e álcool.

Ainda que algum stress seja normal, em excesso, o stress laboral pode interferir com a nossa produtividade e estar na origem de um conjunto de problemas físicos (como a hipertensão, problemas cardíacos e obesidade) e mentais (como a depressão, a ansiedade ou as adições).

Podemos não controlar todos os aspectos do nosso trabalho, mas podemos aprender formas de combater o stress no trabalho. 

*texto de Ricardo João Teixeira, revisto por Ruth Ministro.

Veja também este artigo, escrito pelo Doutor Ricardo João Teixeira, para a Revista Psicologia na Actualidade, intitulado “Do burnout à desconexão psicológica: Aspetos psicossociais do envolvimento excessivo no trabalho

BREVE EXCERTO:

O envolvimento excessivo no trabalho (mental, físico e eletrónico) durante o tempo fora do trabalho contribui para o aumento da exaustão dos trabalhadores ao longo do tempo. Este artigo explora o caminho causal inverso da exaustão/burnout à falta de desconexão psicológica, sugerindo que este processo reverso pode operar dentro de um período de tempo relativamente curto. Estudos recentes sugerem que a exaustão profissional funciona como um preditor da diminuição da desconexão psicológica do trabalho durante os períodos de lazer, em apenas algumas semanas, propondo que a pressão de tempo no trabalho se intensifica e que experiências de lazer positivas reduzem esta associação entre a exaustão e a diminuição da desconexão psicológica. Alguns estudos também revelam que os trabalhadores exaustos acham a desconexão do trabalho cada vez mais difícil e, portanto, poderão sofrer uma recuperação insuficiente – embora sejam quem mais precise disso. A situação é particularmente grave quando os trabalhadores exaustos enfrentam altas pressões associadas a prazos, assim como uma carência de experiências de lazer satisfatórias. Este artigo demonstra a importância da desconexão psicológica na relação stressor-tensão, para que os trabalhadores possam ter um maior bem-estar sócio-ocupacional.“