O que são as TCC?

As Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCC’s) são abordagens psicológicas baseadas em princípios científicos e cuja investigação tem mostrado serem eficazes num largo espectro de perturbações mentais e problemas físicos, podendo ser utilizadas com crianças, adolescentes e adultos. Nas TCC os doentes e os psicoterapeutas trabalham em conjunto para identificar e compreender os problemas dos pacientes em termos das relações entre pensamentos/cognições, emoções e comportamento. Esta abordagem habitualmente incide sobre as dificuldades no aqui e no agora, assentando no desenvolvimento pelo psicoterapeuta e paciente de uma visão partilhada do problema do indivíduo. Isto conduz posteriormente à definição de objetivos terapêuticos personalizados e limitados no tempo, e de estratégias que são continuamente monitorizadas e avaliadas. As abordagens podem ser utilizadas para ajudar qualquer pessoa, independentemente das suas capacidades, cultura, raça, género ou preferência sexual.
Os terapeutas ou psicoterapeutas cognitivo-comportamentais são habitualmente profissionais de saúde como psicólogos clínicos, médicos psiquiatras e pedopsiquiatras e partilham os princípios acima mencionados. Os terapeutas podem também designar-se a si próprios como psicoterapeutas cognitivos, psicoterapeutas comportamentais e/ou psicoterapeutas cognitivo-comportamentais. Estes diferentes títulos reflectem, com frequência, a preferência e formação individual dos terapeutas em diferentes abordagens cognitivo-comportamentais, entre as quais: terapia cognitiva (assente sobretudo na mudança cognitiva), terapia comportamental (assente sobretudo na mudança do comportamento), ou uma combinação de ambas como na terapia racional emotiva comportamental. Mais recentemente, surgem as TCC’s de terceira geração (abordada noutro artigo no site da REACH), nas quais se pode incluir a ACT (terapia de aceitação e compromisso), CFT (terapia focada na compaixão), DBT (terapia comportamental dialética), ou a psicoterapia baseada em mindfulness (MBI).

Qualquer que seja a designação que os terapeutas adotem, a abordagem subjacente é referida comummente como Terapia Cognitivo-Comportamental. Mais importante ainda, todos os terapeutas têm como objetivo ajudar os pacientes a alcançar a mudança desejada na forma de pensar, sentir e comportar-se.

O que acontece na TCC?

Nas TCC’s, psicoterapeuta e paciente trabalham juntos para: desenvolver uma compreensão partilhada de cada problema do paciente; identificar como cada problema afecta os pensamentos, comportamentos, emoções e funcionamento diário do paciente.
Com base na compreensão dos problemas de cada paciente, psicoterapeuta e paciente trabalham em conjunto no sentido de identificar os objetivos da terapia e concordar com um plano de tratamento partilhado. O foco da psicoterapia consiste em capacitar o paciente a conceber soluções para os seus problemas, que sejam mais úteis e adaptativas do que a sua forma habitual de lidar com esses problemas. Com frequência, isto implica que o paciente use o tempo entre as sessões para experimentar nos contextos as novas soluções.
A psicoterapia organiza-se em sessões (habitualmente com a duração de 1 hora), cujo número e frequência pode ser estabelecido e combinado de forma ajustada ao problema e condição de cada paciente, ou seja, o número de sessões necessário dependerá da natureza e gravidade do problema do paciente. Após o término do tratamento, paciente e psicoterapeuta habitualmente combinam um número limitado de sessões de seguimento para manter os progressos alcançados.

Em que tipo de problemas a TCC pode ajudar?

A investigação em TCC’s tem sido realizada extensivamente em diversos contextos. Esta investigação tem mostrado que esta abordagem é uma forma eficaz de psicoterapia, em especial nas seguintes perturbações mentais e problemas físicos

  • Ansiedade e ataques de pânico
  • Fobias (exº, agorafobia, fobia social)
  • Síndrome de fadiga crónica
  • Depressão
  • Perturbação obsessivo-compulsiva (POC)
  • Perturbações do comportamento alimentar
  • Problemas sexuais e relacionais
  • Perturbações de crianças e adolescentes
  • Problemas gerais de saúde
  • Dor crónica
  • Problemas de hábitos (exº, tiques)
  • Raiva
  • Perturbações de uso/abuso de substâncias (exº, álcool ou drogas)
  • Esquizofrenia e psicoseProblemas associados com dificuldades de aprendizagem
  • Perturbação bipolar
  • Perturbação de stress pós-traumático (PTSD)
  • Perturbações do sono

*texto de Ricardo João Teixeira, tendo como base as orientações da APTC.